Implantação de sistemas logísticos: um empasse a ser superado – Adm. João Cezar Souza Ferreira

Adm. João Cesar Souza Ferreira

Toda mudança por si só já é um impasse, uma vez que estabelece um conflito entre os agentes envolvidos com a mesma, e neste sentido como não seria diferente com o processo de implantação de sistemas de logística.

Todo esse processo vem envolto de diversas falhas que por mais que a administração se esforce em mostrar e apontar caminhos, os erros persistem, a esse respeito destacam-se quatro pontos principais:

Primeiro: O erro de pensar em implantar o sistema da mesma forma como funciona em outra empresa e/ou no concorrente.

Segundo: O fato de não levar em consideração as pessoas envolvidas no processo; geralmente se compra um sistema sem apresentação e ponderação dos colaboradores que utilizarão o mesmo.

Terceiro: A não adequação de processos e estruturas para receber um novo sistema.

Quarto: A crença de que sempre a empresa tem que se adequar ao sistema adquirido e que a customização de módulos específicos à realidade da empresa não são necessárias. Corriqueiramente vê-se relatos de que um sistema funciona perfeitamente em uma empresa e em outra não acontece da mesma forma.

Neste sentido fica claro e evidente apontar que pode advir em consequência do deslumbramento do diretor da empresa no momento em que são apresentadas as interfeices do sistema bem como todas as suas funcionalidades, o diretor tende a já se decidir na compra, erro grave, para a aquisição de um sistema deve ser considerado e é, apenas um produto, e neste sentido é aconselhável pesquisa com visitas em loco a outros clientes que tenham adquirido o mesmo sistema, para saber quais são os aspectos negativos, positivos e impressões deste cliente que já utiliza o mesmo.

Também é apresentado com muita frequência geralmente pós-implantação do sistema, reclamações de que os processos não funcionam bem, o que evidencia que não foi feito um levantamento prévio da estrutura necessária para atender este novo sistema seja: Adequação de hardware, estrutura física, treinamento de pessoal, simulações como forma de evidenciar possíveis problemas na implantação entre outros.

Una-se a isso uma prática constante e que entendo se configurar comum; normalmente desenvolvedores acreditam serem administradores, levando a um conflito na implementação, uma vez que o desenvolvedor não possui o olhar do gerente gestor que detém um conhecimento muito maior sobre as peculiaridades da empresa, e as adequações necessárias a serem feitas, seja por questões culturais e/ou outras que diz respeito especificamente a uma determinada forma de gestão.

Em um primeiro momento parecem-nos estranhos esses apontamentos dado ao esforço que diversos autores têm em discorrer sobre planejamento estratégico, gestão de projetos, gestão de pessoas, reengenharia etc.

Diante de todos esses apontamentos, se apresenta condição sine-qua-non um estudo mais aprofundado sobre o porquê, geralmente empresas periféricas, ou seja, as afastadas dos grandes centros, ainda se deparam com esses impasses.

Ouso-me a apontar, talvez o que acredito ser um fenômeno presente, a incorporação de tecnologia fazendo com que muitas empresas se esqueçam do seu principal contribuinte, daquele que flexibiliza e se adapta se forma eficaz a novas tendências. O grau de importância esta invertido, ao invés de considerar as pessoas, ou seja, os colaboradores; tem se cada vez mais valorizado e investido em tecnologias, esquecendo-se que sem as pessoas nenhuma tecnologia avança e evolui no processo produtivo.

*ADM. João Cesar Souza Ferreira- Bacharel em Administração de Empresa, Especialista em Logística Empresarial, possui experiência em processos de implantação de sistemas, Trabalhou como Gerente de Logística na Rede de Farmácia Indiana, atualmente é Assistente Administrativo no Departamento de Ciências Econômicas e pesquisador no Grupo Gecep (Grupo de Crítica à Economia Política), na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

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