Real ganha novas notas
Ministério da
Fazenda e Banco Central (BC) apresentam cédulas que começam a entrar em
circulação ainda este semestre. Elas terão tamanhos diferentes para aumentar a
segurança
Jornal Estado de Minas
Até
2012, 4,2 bilhões de unidades de cédulas do real em circulação no país serão
substituídas pela nova família da moeda apresentada nesta quarta-feira pelo
Ministério da Fazenda e Banco Central (BC). Mais modernas e seguras, as notas
manterão a figura da República, animais da fauna brasileira e cores
predominantes na primeira versão lançada em 1994. As novidades ficam por conta
dos elementos gráficos aplicados para aumentar a segurança contra falsificação
e facilitar a identificação dos valores por deficientes visuais. Além da
variação nas dimensões, já que, quanto maior o valor da cédula, maior será seu
tamanho, ainda haverá marcas táteis, em relevo, aprimoradas em relação às
atuais.
Nas
notas de R$ 50 e R$ 100, a maior mudança será a inclusão de uma faixa
holográfica com desenho personalizado. Outra alteração será quanto à posição
dos animais que passa a ser horizontal em todas as notas. “Estamos emitindo
cédulas de última geração que são compatíveis com as mais modernas do mundo,
como o euro e o dólar", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele
ainda mencionou a internacionalização da economia brasileira, que reforça a
importância de estar mais bem preparada para que o real tenha circulação no
exterior.
Com
a renovação do maquinário, a Casa da Moeda voltará a ser competitiva para
produzir cédulas e moedas para outros países, segundo o diretor de
Administração do BC, Anthero Meirelles. "Com esses equipamentos, a Casa da
Moeda pode imprimir moedas de qualquer país", disse Anthero.
Segundo
o BC, a substituição será feita de forma gradativa, à medida que as cédulas
atualmente em circulação forem substituídas em decorrência do desgaste natural.
“As duas famílias, vão conviver. Não é necessário que a população vá ao banco
trocar as notas", afirmou o presidente do BC, Henrique Meirelles. As
primeiras a chegarem ao bolso dos brasileiros, ainda neste semestre, serão as
notas de R$ 50 e R$ 100, por demandarem maior segurança. No início de 2011 será
a vez das cédulas de R$ 20 e R$ 10 e um ano depois começam a circular as de R$
2 e R$ 5. Apesar de ser contemplada no projeto, a nota de R$ 1, extinta para
dar lugar à moeda, não tem previsão de ser relançada, já que, segundo o BC, tem
vida útil inferior às das notas de maior valor. A expectativa é de que até a
Copa do Mundo de 2014, 100% do dinheiro em circulação seja da nova família.
A
implantação do projeto das novas cédulas, que vem sendo desenvolvido desde 2003
pelo BC com a Casa da Moeda, representará um aumento de 28% nos custos de
produção. Até hoje, o BC pagava R$ 168 para cada mil cédulas produzidas pela
Casa da Moeda, valor que sobe para cerca de R$ 200. Ainda foram investidos R$
230 milhões na aquisição de equipamentos de última geração na área de impressão
de segurança. Custo que deve ser compensado pelo aumento da durabilidade das
novas notas, que terão uma vida útil 30% maior, em consequência de um processo
de envernizamento pelo qual passarão depois da impressão. Atualmente, as notas
de maior valor circulam em média de 2,5 a 3 anos. Já as de menor valor duram
cerca de um ano.
Deficiente
visual desde os 12 anos, o aposentado Mário Alves de Oliveira está descrente
quanto às mudanças propostas para as cédulas do real. “Diferença de tamanho não
ajuda em nada, já que se eu tiver somente uma nota de R$ 2 na mão, sem outra
referência de nota maior ou menor, não saberei se é de fato aquele valor. A
dúvida é muito pior do que não saber”, afirma. Em vários contatos com o Banco
Central e Casa da Moeda, ele tentou alertar sobre a ineficiência da medida, mas
sem êxito. “Mandei uma proposta de sistema que desenvolvi. Em cada nota seriam
impressos símbolos bem distintos com quatro pontos, em uma textura áspera, para
identificação do valor”, conta. Quanto às marcas em relevo que serão adotadas,
Mário afirma que não terão como princípio a identificação por cegos, mas a
prevenção de falsificações. “Já conversei com pessoas do Banco Central que me
informaram isso. São praticamente imperceptíveis ao tato”, conta. “Foram
pessoas que enxergam que criaram isso. Já contatei outros cegos, inclusive em
Portugal, que disseram que diferença de tamanho não é a saída.”